A situação do planeta Terra e seu eventual colapso ou um salto quântico para outro nível de realização não penetrou, ainda, na consciência coletiva nem nos grandes centros acadêmicos.

Continua imperando o velho paradigma, surgido no século XVI com Newton, Francis Bacon e Kepler, atomístico, mecanicista e determinístico como se não tivesse existido um Einstein, um Hubble, um Heisenberg, um Reeves, um Hawking, um Lovelock, um Capra e tantos outros que nos elaboraram a nova visão do universo e da Terra.

Cito as palavras do prêmio Nobel de Biologia (1974) Christian de Duve, que escreveu um dos melhores livros sobre a história da vida: “Poeira vital: a vida como imperativo cósmico”. A evolução biológica marcha em ritmo acelerado para uma grave instabilidade. O “nosso tempo lembra uma daquelas importantes rupturas na evolução, assinaladas por grandes extinções em massa”.

Desta vez ela não vem de algum meteoro rasante como em eras passadas que quase eliminou toda vida, mas do próprio ser humano que pode ser não só suicida e homicida, mas também ecocida, biocida e por fim geocida. Ele pode pôr fim à vida no nosso planeta, deixando apenas os microorganismos do solo que se contam em quatrilhões de quatrilhões de bactérias, fungos e vírus.

Em razão desta ameaça montada pela máquina de morte fabricada pela irracionalidade da modernidade, se introduziu a expressão antropoceno, uma espécie de nova era geológica na qual a grande ameaça de devastação se deriva do próprio ser humano (antropos).

Ele interveio e continua intervindo de forma tão profunda nos ritmos da natureza e da Terra que está afetando as bases ecológicas que os sustenta. Segundo os biólogos Wilson e Ehrlich, desaparecem entre 70 a 100 mil espécies de seres vivos por ano devido à relação hostil que o ser humano mantém com a natureza. A consequência é clara: a Terra perdeu seu equilíbrio e os eventos extremos o mostram irrefutavelmente. Só ignorantes como Trump negam as evidências empíricas.

O futuro da Terra não cai do céu, mas das decisões que tomarmos no sentido de estarmos em consonância com os ritmos da natureza e do universo. Cito Swimme: “O futuro será determinado entre aqueles comprometidos com o Tecnozoico, um futuro de exploração crescente da Terra como recurso, tudo para o benefício dos humanos e aqueles comprometidos com o Ecozoico, um novo modo de relação para com a Terra em que o bem-estar de toda a comunidade terrestre é o principal interesse”.

Se esse não predominar, conheceremos possivelmente uma catástrofe, desta vez efetuada pela própria Terra, para se livrar de uma de suas criaturas que ocupou todos os espaços de forma violenta e ameaçadora das demais espécies, que, por terem a mesma origem e o mesmo código genético, são seus irmãos e irmãs, não reconhecidos, mas maltratados e até assassinados. Temos que merecer subsistir neste planeta.

Esta é a encruzilhada de nosso tempo: ou mudar ou desaparecer. Mas quem crê nisso? Nós continuamos a gritar.

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