A lembrança do gesto de dar –

Cada uma de nós tem um provérbio de estimação, mesmo que não viva citando e repetindo… Qual é o seu?

O meu é um provérbio chinês. É verdadeiro, a meu ver. É bonito. Faz entender. E enfeita a vida. É assim:

“Um pouco de perfume sempre fica nas mãos de quem oferece rosas.”

Nunca dei rosas sem sentir que nas minhas mãos ficou um pouco do seu perfume. Nunca prestei um favor, sem sentir que nas minhas mãos ficou a lembrança do gesto de dar.

Nunca dei amor, sem sentir que eu também recebi amor.

Quem sabe se a “aura” que envolve as pessoas generosas vem de que elas guardam, no ar tranquilo e suave, o perfume de quem deu rosas?

Minha alegria em dar chega, às vezes, a me parecer egoísmo… tanto eu me beneficio quando dou. Parece até que sou em quem ganha realmente.

Um dia desses vi uma senhora muito ocupada atender a uma senhora que tinha dito: mamãe, vem cá! Fato banal? Não, não era banal. Essa criança de três anos fora recolhida pela senhora quando, com dois dias de vida, quase morria de fome.

ANOTE AÍ:

Clarice Lispector – em Correio Feminino. Organização Maria Aparecida Nunes. Editora Rocco. 2006.

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