A última pesquisa Datafolha diz que ele tem ainda 51% de apoio junto a opinião pública. Mas o percentual, é bom lembrar, foi aferido quando apresentado ao lado de ministros do governo Bolsonaro cuja popularidade é assustadoramente baixa. O presidente, segundo o mesmo instituto, tinha seu prestígio na casa de 29% que o consideravam bom ou ótimo.

Fato é que Moro, ao deixar a magistratura para embarcar no governo Bolsonaro, tentava salvar a reputação. Sabia que não teria como se livrar de uma condenação por ter vazado o áudio da presidenta Dilma Rousseff, a qual não estava sob investigação, durante uma conversa com Lula. Isso foi em março de 2016.

Para escapar da humilhação da condenação por crime indefensável, ele disse SIM ao candidato. Mas, ao concordar em ir para o governo de um político tradicional e que não tem compromissos com o que diz, Moro amarrou o burro na porta de boteco de quinta.

Porque disse SIM também a um esforço hercúleo para livrar a família Bolsonaro de toda e qualquer investigação sobre corrupção, SIM para não investigar milícias, e SIM para não capturar Queiroz. Além disso, não tem merecido apoio diante de decisões que o presidente deveria confiar-lhe. O último tiro no peito foi disparado hoje com a demissão do diretor da Polícia Federal – Maurício Valeixo – indicado por Moro.

Sem prestígio junto ao Planalto, e mesmo assim vendo sua força política escorrer, Moro não terá outra alternativa a não ser pedir demissão para escapar de uma humilhação pública adiada lá no passado – quando do vazamento.

Afora o fogo governamental, Moro ainda pena com a Vaza-Jato. Divulgados pelo The Intercept Brasil, vazamentos revelam uma faceta que o público desconhecia: quando juiz era dado a fazer conchavos com o Ministério Público para manipular depoimentos e levar políticos à condenação – como no caso mais simbólico da Lava-Jato envolvendo o presidente Lula.

Moro é, neste momento, um sujeito desmoralizado, trôpego e sem energia que caminha pela Esplanada dos Ministérios olhando para o relógio. Sabe que a hora da demissão chegará. Se será enquanto o seu algoz, o presidente Bolsonaro, está no hospital ou após sair, é a única dúvida que lhe resta.

Buscará abrigo nos braços de Dória Júnior que o quer como vice em uma chapa encabeçada por ele nas próximas eleições presidenciais.

O que será de Moro até lá? Quem arrisca um palpite? Eu não.

Fábio Lau é jornalista, portelense, botafoguense, gosta de feijoada e nunca confiou em Sérgio Moro.

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