Sob o comando de Sérgio Moro, PF ataca a liberdade imprensa

Acuado por denúncias de corrupção no comando da Lava-Jato, ministro da Justiça escancara perseguição ao editor do The Intercept Brasil

Subordinada ao ministro a Justiça Sérgio Moro, a Polícia Federal está investigando as movimentações financeiras do jornalista norte-americano Glenn Greenwald. O pedido de levantamento nas contas bancárias do jornalista já foi encaminhado ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). 

Editor do site The Intercept Brasil, Greenwald é um dos responsáveis pela reportagem investigativa que desvendou a #VazaJato, um dos maiores escândalos de corrupção envolvendo um membro do poder judiciário brasileiro e Procuradores da República que atuam na força-tarefa da Lava-Jato.

As denúncias envolvem um suposto conluio entre Sérgio Moro (no período em que atuava como juiz de primeira instância) e promotores da força-tarefa de Curitiba (PR). 

Através de uma fonte que está sendo mantida no anonimato, o site teve acesso as trocas de mensagens entre o juiz e promotores durante o julgamento dos processos. As mensagens demonstram que juiz e acusadores atuavam em uma espécie de parceria para condenar réus de forma seletiva.

As condenações refletiram no resultados das eleições do ano passado, porque entre os condenados está o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que na época liderava as pesquisas de intenção de votos na disputa presidencial.

A informação sobre o pedido da PF ao Coaf foi publicada no site O Antagonista, que tem funcionado como órgão oficial do ministro Sérgio Moro e da força-tarefa da Lava-Jato.  A nota, postada na tarde do dia 03, afirma que o objetivo do pedido da PF é verificar qualquer movimentação suspeita que possa estar relacionada à invasão de celulares de integrantes da Operação Lava Jato.

Ainda de acordo com O Antagonista, conhecido por suas posições pró-Moro e pró-Bolsonaro, Greenwald só será investigado em caso de existir algum indício que ele possa ter participação no que a página chama de “serviço criminoso” por encomenda.

Em sua página no Twitter, Greenwald declarou que a ação da PF, se confirmada, estaria configurada como “abuso de poder”. Em uma mensagem direta a Moro pela rede social, o jornalista do The Intercept Brasil sugeriu que ele “investigue tudo o que quiser”.

Presente na terça-feira na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados, Moro não respondeu se a PF está mesmo investigando as finanças de Greenwald. Ele voltou a questionar a veracidade do conteúdo e declarou apenas que essa e outras perguntas devem ser feitas “ao órgão certo”.

Entretanto, em outro momento da audiência com os deputados, o ministro da Justiça afirmou que, na sua opinião, “alguém com muitos recursos está por trás dessas invasões”, reforçando uma narrativa de que a invasão de celulares é o que alimenta a série de reportagens que o The Intercept Brasil vem fazendo acerca de supostos diálogos entre ele e procuradores da Lava Jato.

Já Greenwald garante que o conteúdo dos vazamentos não são obra de um ataque de hackers a celulares, preferindo evocar o direito de sigilo à fonte, previsto na Constituição Federal.

Em entrevista à agência Sputnik na segunda-feira (02), a presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ), Maria José Braga, avaliou que as ameaças que Greenwald vêm sofrendo podem ser classificadas como um atentado à liberdade de imprensa no Brasil. 

Fonte: Viu Online

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