As mulheres e a violência (real e simbólica) dos homens

Por Fabianna Freire Pepeu

Uma hora dessas aí tive um pesadelo. Eu caminhava sozinha, já noite, como se estivesse indo até um lugar, possivelmente comercial, já conhecido, que ficava no fim de uma rua larga, mas sem saída. Faltando poucos metros pra chegar ao local, eu percebi que o imóvel não tinha mais nenhuma placa, havia perdido o muro, estava pintado de branco de modo bem precário e tinha uma aparência meio suja. Uns poucos passos mais adiante e eu percebo uns dois ou três rapazes às minhas costas. À frente, na casa abandonada, percebo com mais clareza, há outros homens. Pareciam ter ocupado o imóvel pra usar como abrigo. Todos os rapazes têm a aparência das pessoas que perderam a alma para o crack. Eu constato, com imenso horror, que não existe a menor possibilidade de escapar da iminente tragédia. Digo, haveria uma saída, mas apenas se eu pudesse voar!

[ Em meus sonhos, já voei muitas vezes e longamente.]

É disso que me lembro nesse momento do pesadelo, mas também lembro que, em tais sonhos, os meus voos não ocorrem, assim, de um modo imediato, como se eu desse partida num foguete.

Também constato no pesadelo que os voos ocorrem nos sonhos, mas que eu não poderia voar mesmo porque o meu pesadelo é (vida) real, no qual estou em uma situação-limite de pane e medo.

Acordo assustada e ligeiramente suada.

Desde então, tenho tido um medo bem evidente de andar sozinha e estou meio sobressaltada. Agorinha, por exemplo, fiquei paralisada, conversando baixinho comigo mesma, avaliando se teria coragem de ir a pé resolver duas coisinhas bem perto, pois já faz tempo que escureceu e as ruas aqui são desertas de gente e muito mal iluminadas. Possivelmente, acabarei pegando o carro e queimarei gasolina e continuarei acumulando gordurinhas.

Todo mundo vai entender esse texto porque, afinal, ele não tem nenhum mistério (tem?). Mas as mulheres, que sabem o que significa mudar de calçada numa noite vazia, vão me entender muito mais.

Fonte: Facebook

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