Não fosse o que o presidente Temer chamou, na tarde do dia ontem (05/01) de “acidente apavorante” um verdadeiro massacre que custou 60 vidas humanas em Manaus, o Brasil amanhece hoje com mais um saldo de 33 mortes em uma Penitenciária, dessa vez em Roraima, também na região Norte do país.

Em matéria publicada pelo Portal Fórum  nesta sexta-feira,  (06/01), o site faz um balanço das mortes em presídios no governo Temer: 400 mortes, o que equivale a quase quatro Carandirus, ou seja, quase um Carandiru por mês:

Com o massacre ocorrido na noite desta sexta-feira (06), na Penitenciária Agrícola de Monte Cristo (Pamc), na zona Rural de Boa Vista (RR), onde morreram ao menos 33 presos, já são mais de 400 mortes em presídio ocorridas sob o governo Temer. Apenas de outubro para cá, quando ocorreu o primeiro massacre na penitenciária de Monte Cristo onde morreram 25 presos, já são 118 mortos em massacres ocorridos em presídios no Brasil.

Na prática o governo Michel Temer produz, com a sua inoperância, um massacre do Carandiru a cada quatro meses. O caso, ocorrido em São Paulo, em outubro de 92, é considerado o maior genocídio de presos do país em todos os tempos e um dos maiores do mundo.

Na época, é sempre bom lembrar, Michel Temer assumiu a Secretaria de Segurança do Estado de São Paulo no lugar de Pedro Franco de Campos. Ao tomar posse, ele anunciou como reação ao massacre que recomendaria repouso e meditação para os policiais envolvidos.

O caso, que seria trágico não fosse cômico, se repete como tragédia. O plano de segurança de emergência proposto por Temer não só já estava previsto no orçamento como não resolve nem 0,4% do déficit de vagas em cadeias.

O desastre coloca em xeque também a febre privatizadora em penitenciárias federais. Uma das primeiras frases de Temer, após um longo silêncio de três dias depois do massacre de Manaus, foi culpar a empresa contratada, ironicamente chamada de Umanizzare: “O presídio era terceirizado e privatizado, portanto, não houve uma responsabilidade objetiva, clara e definida dos agentes estatais”.

A mesma cantilena foi repetida por seu ministro da justiça, Alexandre de Moraes: “A responsabilidade vai ser analisada pela força tarefa que está fazendo a investigação. O presídio é terceirizado. Não é uma PPP. É uma terceirização dos serviços. De cara, óbvio, houve falha da empresa. Não é possível que entre armas brancas, facões, pedaços de metal, armas de fogo inclusive escopeta”, declarou o ministro.

Privatizações em presídios, bem como em vários outros setores vitais da administração pública, são aplaudidos, propagados e instaurados por Temer, a sua base aliada e, sobretudo, pelo PSDB, partido cuja sanha de vender ou arrendar responsabilidades públicas se confunde com as suas próprias cores e bandeiras. As mesmas, no entanto, certas ou erradas, não pressupõem a isenção de culpa do Estado, muito ao contrário. Temer, seu ministro da justiça, bem como toda a horda de aliados, são sim, responsáveis por cada um dos mortos em presídios brasileiros, bem como as que ocorrem em hospitais e equipamentos públicos administrados por organizações sociais.

No final das contas o que temos para hoje são erros primários e um grande jogo de empurra – o primeiro culpado encontrado foi o governo do Amazonas que, segundo o ministro Alexandre de Moraes, sabia de um grande plano de fuga e não avisou ninguém. Estes e muitos outros erros crassos, omissões e projetos para inglês ver têm custado centenas de cadáveres empilhados, famílias desesperadas e um desgoverno de quatro para o crime organizado.

Temer, o vice decorativo, conspirador e inoperante, talvez acabe derrubado por quem menos esperava, ou seja, o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho.

ANOTE AÍ:

foto: Diário do Centro do Mundo

O MASSACRE DO CARANDIRU

O Massacre do Carandiru ocorreu na Casa de Detenção de São Paulo, em 2 de outubro de 1992,  quando uma intervenção da Polícia Militar de São Paulo, para conter uma rebelião que começou no Pavilhão 9  da Casa de Detenção.

A intervenção da Polícia Militar, liderada pelo coronel Ubiratan Guimarães, causou, segundo a contagem oficial, a morte de 111 presos. Sobreviventes, entretanto, afirmam que morreu muito mais gente. A intervenção da polícia, classificada pelo promotoria do julgamento como “desastrosa e mal-preparada, foi autorizada pelo então Secretário de Segurança Pública de São Paulo, Pedro Franco de Campos, que perdeu o cargo pouco tempo depois,

O então governador do Estado, Luiz Antônio Fleury Filho, afirmou, anos depois, que não deu a ordem da matança porque não estava no seu gabinete, mas que se estivesse teria autorizado a invasão do Presídio.  Temer, o secretário de segurança que substituiu Campos, ao ser indagado sobre como resolver a grave crise gerada pelo massacre, anunciou que recomendaria aos policiais envolvidos muito repouso e meditação.

O JULGAMENTO DOS POLICIAIS ENVOLVIDOS NO MASSACRE DO CARANDIRU

Em abril de 2013, um tribunal brasileiro outorgou um pouco mais do que repouso e meditação aos autores do massacre:  23 dos policiais militares a 156 anos de prisão cada um pelo seu envolvimento na morte de 12 presos durante o massacre.

A sentença foi anunciada pelo juiz José Augusto Nardy Marzagão e corresponde apenas à primeira parte do julgamento que está dividido em quatro etapas. Outros três policiais julgados nesta primeira fase foram absolvidos a pedido do próprio Ministério Público.

Em 3 de agosto de 2013, por volta das 4 horas da manhã, o juiz Rodrigo Tellini de Aguirre Camargo leu a sentença de 624 anos de prisão a 25 réus policiais militares que foram acusados de participação no massacre, especificamente na participação direta na morte de 52 detentos instalados no terceiro pavimento do pavilhão 9.

Cinco  juris  condenaram 74 policiais militares envolvidos no massacre, porém, acabaram anulados por decisão da Quarta Câmara Criminal do  Tribunal de Justiça de São Paulo, em recurso relatado pelo desembargador Ivan Ricardo Garisio Sartori, em  setembro 2016.

foto: museudeimagens.com.br

 O DESTINO DO CORONEL UBIRATAN GUIMARÃES

Em junho de 2001, o coronel Ubiratan Guimarães foi inicialmente condenado a 632 anos de prisão por 102 das 11 mortes do massacre (seis anos de prisão por cada homicídio e vinte anos por cinco tentativas de homicídio).

No ano seguinte, o coronel foi  eleito  deputado estadual  por São Paulo após a sentença condenatória, durante o trâmite do recurso da sentença de 2001.

Por esse motivo, o julgamento do recurso foi realizado pelo Órgão Especial do Tribunal de Justiça, ou seja, pelos 25 desembargadores mais antigos do estado de São Paulo, em 15 de fevereiro de 2006.

O Órgão reconheceu, por vinte votos a dois, que a sentença condenatória, proferida em julgamento pelo Tribunal do Júri, continha um equívoco. Essa revisão acabou absolvendo o réu. A absolvição do réu causou indignação em vários grupos de direitos humanos, que acusaram o fato de ser um “passo para trás” da justiça brasileira.

No dia 10 de setembro de 2006, o coronel Ubiratan foi assassinado com um tiro na região do abdômen. No muro do prédio onde morava foi pichada a frase “aqui se faz, aqui se paga”, em referência ao massacre do Carandiru.

Fonte de dados sobre o Massacre do Carandiru: wikipedia.org 

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